Sou a própria viagem e por isso não posso parar de voar. Sinto no coração os efeitos do meu vício aceleram meu pulsar e eu não paro de sonhar.
sábado, 5 de maio de 2012
Desaprendendo com Manoel de Barros
Aprende-se que as flores vivas nascem na poesia das crianças
Elas são sensíveis demais para comerem uma semente
plantam nas terras inférteis dos adultos a doce sabedoria do sentir
e ver, e tocar, e ser
Nós, garimpeiros de primeira viagem, sempre esquecemos de regá-las pela manhã.
Com os pássaros aprende-se a ver a terra como o que ela é: um grande grão de pele de veludo cheio de feridas asfálticas e parasitas
Alcançamos os grandes ares, mas ainda respiramos o odor do seu suor.
Os Andarilhos, sem fronteiras para os seus sonhos, aprendem a desaprender a ciência cega do homem
que perde na procura da exatidão
a sabedoria da sensibilidade do olhar
e sentir sem mudar o que já existe
passa-se e o que muda é o mundo
ele nos recorta em cada pedacinho
em uma nova história.
E somos isso: colcha de retalhos mal-costurado. Não sabemos contar a nossa própria história.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Às margens Plácidas
O tempo no punho
no pulo da pressa
algema da condenação
do atraso da espera
o trem lento no trilho
o Pinheiros como crime
quieto e manso no sigilo
grita em ópera sua morte
no seu odor que rasga
narinas sem distinção
de cor, de dor, de bolso ou alarde
uma pista de patinação
Um espelho
que reflete a luz dos postes azuis
Morumbi, Berrini, Vila Olímpia
um poço de saudade
de algo que foi e nunca mais será
mas ainda é toda cidade
merda, esgoto, escremento, fosso
de todo lar paulistano
Jardins, Paraisópolis, Paulista
todos brilham na mesma ironia
de um olhar perdido na janela que passa.
no pulo da pressa
algema da condenação
do atraso da espera
o trem lento no trilho
o Pinheiros como crime
quieto e manso no sigilo
grita em ópera sua morte
no seu odor que rasga
narinas sem distinção
de cor, de dor, de bolso ou alarde
uma pista de patinação
Um espelho
que reflete a luz dos postes azuis
Morumbi, Berrini, Vila Olímpia
um poço de saudade
de algo que foi e nunca mais será
mas ainda é toda cidade
merda, esgoto, escremento, fosso
de todo lar paulistano
Jardins, Paraisópolis, Paulista
todos brilham na mesma ironia
de um olhar perdido na janela que passa.
quinta-feira, 22 de março de 2012
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Respira outra vez o mundo
...
Respira outra vez o mundo
chora águas pesadas de poeira
desde lajes altas da cidade
até o baobá solitário do morro acimentado
e a lavoura de café é seca nessa parte do ano
sementes e aromas transportados pelo atlântico
vida e sonhos desenhados nas cores improvisadas
desmontados nos blocos fracos da umidade
...
Respira outra vez o mundo
nasce o sol quente nas vidraças coloridas
cheios de adesivos centenários desbotados
ilumina a piscina no asfalto lavado
crianças vestidas jogam pelada
e suas peles se misturam com as cores da lama
Corre o choro diarréico pelos córregos estreitos
abertos a céu fechado brota árvores nas suas bordas
vidas e culturas se alimentam de suas hortas
o pranto encontra as artérias entupidas do rio que corta a cidade
...
Respira outra vez o mundo
nasce em flor e vapor a chuva ácida que lavou as casas
morros, ruas, avenidas, prédios, viadutos
ainda sujos de nojo, corrupção, desumanização
em alimento vence o infortúnio na pele da terra
os pedaços andantes dos seres ambulantes
sustentando força das ideias e dos amores
crescem, criam, sonham, lutam, ganham
pensam que plantam quando jogam a bituca na calçada
sonham que colhem o que compram no supermercado
com o seu dinheiro, não roubado
já foi sonegado em demasia
impostos, sossego, tempo de alegria
agora não quer mais pensar, só dormir para o outro dia
que respira mais uma vez a sua vida.
...
Respira outra vez o mundo
chora águas pesadas de poeira
desde lajes altas da cidade
até o baobá solitário do morro acimentado
e a lavoura de café é seca nessa parte do ano
sementes e aromas transportados pelo atlântico
vida e sonhos desenhados nas cores improvisadas
desmontados nos blocos fracos da umidade
...
Respira outra vez o mundo
nasce o sol quente nas vidraças coloridas
cheios de adesivos centenários desbotados
ilumina a piscina no asfalto lavado
crianças vestidas jogam pelada
e suas peles se misturam com as cores da lama
Corre o choro diarréico pelos córregos estreitos
abertos a céu fechado brota árvores nas suas bordas
vidas e culturas se alimentam de suas hortas
o pranto encontra as artérias entupidas do rio que corta a cidade
...
Respira outra vez o mundo
nasce em flor e vapor a chuva ácida que lavou as casas
morros, ruas, avenidas, prédios, viadutos
ainda sujos de nojo, corrupção, desumanização
em alimento vence o infortúnio na pele da terra
os pedaços andantes dos seres ambulantes
sustentando força das ideias e dos amores
crescem, criam, sonham, lutam, ganham
pensam que plantam quando jogam a bituca na calçada
sonham que colhem o que compram no supermercado
com o seu dinheiro, não roubado
já foi sonegado em demasia
impostos, sossego, tempo de alegria
agora não quer mais pensar, só dormir para o outro dia
que respira mais uma vez a sua vida.
...
sábado, 28 de janeiro de 2012
desconstrução
São Paulo
na praça do meio
entre o Jd. São Bento e o Jd. Jangadeiro
Uma garota com uma revista
conversava sem palavras com as árvores enraizadas
em uma terra multicolor.
As pipas desenhavam no céu
a dança de uma inocente infância
que já não tinha mais verão.
Os olhos já eram as folhas e a fumaça
mais uma perdida na multidão
do povo que dorme no morro e trabalha no mercadão
central, municipal, cultural
o povo é tudo isso e nem sabe que é.
Mais uma blayser negra desce a curva fechada do capão
quem sabe o que é a quebrada não se veste de urubu
são eles vigiando o que é de todos
um museu ao céu aberto de restos que viraram casas de sonhos
pra só mais uma tentativa de ser um ser
já que tudo foi sempre assim.
O céu raiava as estrelas de trovôes que agora só sussuram
o desespero de uma vida sem saída
Morre mais um no morro. E o que isso significa?
São paulo, 23 de Janeiro de 2012
Polícia encontra suspeito de tráfico de drogas
A operação cracolândia é um sucesso! Segundo a pesquisa da páginadata, o narcotráfico na cidade de São Paulo foi reduzido em 7 por cento a mais comparado ao mesmo mês de janeiro do ano anterior.
Mais tráfico de dinheiro, de informação
que é só mais um descanso de retina
a revista super interessante só tem ideias desinformantes
e continua na mão daquela menina
que procura no dicionário a palavra biqueira.
na praça do meio
entre o Jd. São Bento e o Jd. Jangadeiro
Uma garota com uma revista
conversava sem palavras com as árvores enraizadas
em uma terra multicolor.
As pipas desenhavam no céu
a dança de uma inocente infância
que já não tinha mais verão.
Os olhos já eram as folhas e a fumaça
mais uma perdida na multidão
do povo que dorme no morro e trabalha no mercadão
central, municipal, cultural
o povo é tudo isso e nem sabe que é.
Mais uma blayser negra desce a curva fechada do capão
quem sabe o que é a quebrada não se veste de urubu
são eles vigiando o que é de todos
um museu ao céu aberto de restos que viraram casas de sonhos
pra só mais uma tentativa de ser um ser
já que tudo foi sempre assim.
O céu raiava as estrelas de trovôes que agora só sussuram
o desespero de uma vida sem saída
Morre mais um no morro. E o que isso significa?
São paulo, 23 de Janeiro de 2012
Polícia encontra suspeito de tráfico de drogas
A operação cracolândia é um sucesso! Segundo a pesquisa da páginadata, o narcotráfico na cidade de São Paulo foi reduzido em 7 por cento a mais comparado ao mesmo mês de janeiro do ano anterior.
Mais tráfico de dinheiro, de informação
que é só mais um descanso de retina
a revista super interessante só tem ideias desinformantes
e continua na mão daquela menina
que procura no dicionário a palavra biqueira.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
domingo, 18 de dezembro de 2011
Flores Mortas
Tocam os sinos da catedral
metem-se pelas portas metálicas
o conglomerado de corpos amontoados
nos vagões do coração dilacerado paulistano
Pulsam no suor do cansaço
a velocidade dos compromissos cumpridos ou atrasados
de mais um dia fatídico dos trabalhos mal pagos
Pelas artérias mecânicas transportados
até às células submersasno mais improváveis lares periféricos
são todos muitos: Pais, empregados, filhos e padrastos
presos no olhar extasiado dos sonhos estagnados
Olhos que adormecem abertos
não se pode passar da estação
só acordam com o novo anúncio da mais nova cerveja na televisão
São o sangue, a força, as pedras de toda essa selva
que não se permitem mais quebrar vidraças
porque as letras do anúncio indicam o proibido
não fumar, não beber, não pensar
e se quebram as regras, se tornam grãos oprimidos
caçados e propinados com nome de bandido pobre analfabeto bárbaro
bloqueados pelo braço repressor do estado
que só quer proteger a sociedade do descontrole irracional
gerado pela dor do grito do ser racional
Já passou das 10 e a novela acabou
resta o sono dos músculos desajustados
a cama precisa ser trocada, à prestação
mas nem o mínimo se pode tirar do salário
que nem engorda mais o caldo do feijão
metem-se pelas portas metálicas
o conglomerado de corpos amontoados
nos vagões do coração dilacerado paulistano
Pulsam no suor do cansaço
a velocidade dos compromissos cumpridos ou atrasados
de mais um dia fatídico dos trabalhos mal pagos
Pelas artérias mecânicas transportados
até às células submersasno mais improváveis lares periféricos
são todos muitos: Pais, empregados, filhos e padrastos
presos no olhar extasiado dos sonhos estagnados
Olhos que adormecem abertos
não se pode passar da estação
só acordam com o novo anúncio da mais nova cerveja na televisão
São o sangue, a força, as pedras de toda essa selva
que não se permitem mais quebrar vidraças
porque as letras do anúncio indicam o proibido
não fumar, não beber, não pensar
e se quebram as regras, se tornam grãos oprimidos
caçados e propinados com nome de bandido pobre analfabeto bárbaro
bloqueados pelo braço repressor do estado
que só quer proteger a sociedade do descontrole irracional
gerado pela dor do grito do ser racional
Já passou das 10 e a novela acabou
resta o sono dos músculos desajustados
a cama precisa ser trocada, à prestação
mas nem o mínimo se pode tirar do salário
que nem engorda mais o caldo do feijão
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