Sou a própria viagem e por isso não posso parar de voar. Sinto no coração os efeitos do meu vício aceleram meu pulsar e eu não paro de sonhar.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
e deixar o sol nascer vendo-as entrelacadas.
Tantas pessoas e cada uma segue o seu caminho
um sempre diferente
para chegar sempre na mesma esquina quente do prazer barato de uma noite deleitosa com um desconhecido
e se olha amassado, arranhado e lambido no espelho e nao se reconhece
e quando acorda no outro dia nunca se lembra do nome
daquele corpo nu suado
jogado cansado no seu lencol.
Para que tantas desculpas dissoluveis
se na verdade, no fundo da memoria
o seu refugio e a rua debaixo da sua casa
familiar, escura e solitaria
com um unico poste de luz opaca acesa cheio de mariposas cegas dancarinas das noites frias.
E vive mais um dia com o coracao cheio do nada de sua vida.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
E quando senti a azia da papa massa seca em minha boca
notei que alguns dos últimos bolinhos haviam sido roubados
estavam ensopados de óleo frio
senti a nódoa engrossando a saliva
- Passar fome é tenso!
- Acho que o pior é dormir no frio....
O desamparo que nos faz resurgir secos no nada
a solidão que, inquisidora, te reduz ao ser mais abominável das esquinas mal iluminadas
Sujas e Imundas da cidade.
A dignidade da sensatez de ter o mundo como sala de estar
É o cobertor para as peripécias do frio.
- Sabe aquela senhora que sempre dorme na praça?
- Sei. Aquela que tinha dois filhos?
- Eram 3 na verdade. Ontem de manha ela estava desesperada gritando na praça, com a desesperança no domínio dos seus sentimentos e o vazio da vida diante das suas retinas...
- Meu deus! Que aconteceu com ela?
( suspiro profundo...)
- Ela estava com seu filho em seus braços, o mais novo de 2 aninhos. Ele tinha falecido de hipotermia naquela madrugada, foi a mais fria da capital, vc viu no jornal?
- É verdade, eu saí para o trabalho com 3 blusas! Mas coitada , que coisa horrível! Ela agora deve estar precisando de ajuda...
- Agora?
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Apresentam-se comumente, referenciando o que sentem, tão logo que a mente sem resposta, rende o briho no olhar, e o desapego da palavra abre espaço pro abraço. Entender pra que? Aconteceu sem que fosse assim...
E das horas que seguiram, a proximidade quem disse, resurgiu o coração acelerado, já nas particulas deste estado devéras anunciou: Teu caminho é o meu amor!
Lá, guardado com fulgor, os olhos traziam um mundo novo. Aquele que onde vivemos de verdade, e amamos pela bondade, que a justiça nos guarde! Pois a beleza está no sentir e assim, como faz a vida, fluir." Pedro Gorrão
Entender para ter poder.
e as horas perdidas com as ilusões do que poderia ser toda essa razão para existir e cultivar o que uma mente brilhante fazia, tudo o angustiava, o nada era o lotado vazio da sua vida.
E a luz pela janela o retornava a poesia da vida, porque perdeu o medo de ser o calor em pele daquela tarde entardecida.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Resposta aos moinhos anatômicos
e ter o mundo como um manto verde que cobre as suas mais infimas incertezas
saltar de penhascos apaixonadamente e sentir a pele irremediavelmente crespa
palpitar a seiva que derrete em melodia
a doce chuva suicida das folhas secas:
é na sua morte que a primavera canta.
e ter a grama como cama
e videar a folha que cresce enquanto,
Kamikaze bailarinas, entregam-se à queda e ao desapego
dos altos braços imponentemente tortos das arvores centenárias
a cobrirem o rosto úmido e terno da terra lavrada
circunscrevendo no ar a poesia dos suspiros da aurora
e recitá-la no brilho vivo opaco dessa tarde sem insônia.
domingo, 1 de maio de 2011
Nao
Dessa vez nao vai sair uma poesia.
Tem dias que o lirismo nao pode suportar o peso da artomentada realidade que esfacela por dentro sem piedade, como uma granada, os nossos neuronios e coracao.
Como uma granada nao, como uma navalha.
Uma navalha que corta rente as arterias a pele desprotegida do frio das esquinas
esquecidas pela vista de quem passa
e olha aquele sujeito na sarjeta como um incomodo.
Nao
Seria muita hipocrisia da minha parte falar que nunca compreendi isso
que o conforto de uns e como televisao de cachorro para outros
e que todos nos, no fundo, temos medo de acabar solitarios em uma esquina fria e mal iluminada.
E o que temos para falar sobre o amor nessas horas?
Amor? Como seria isso nesses dias?
Ah, claro, e aquele presente caro do dia dos namorados...
Isso e prova de amor?
Nos esquecemos de onde viemos porque agora so importa pensar em nosso futuro
que nem sabemos se existira.
Nos esquecemos de que todos fazemos parte disso.
E muito facil esquecer, todo o tempo querem que facamos isso.
E so apertar um botao do controle remoto que todo o stress explode de uma so vez na sua cabeca
e sai escorrendo pelo canto da boca ate cair no canto do ralo do banheiro sujo.
E temos tanto nojo disso que nem vemos mais a podridao em nossos olhos.
nao podemos nos encarar mais frente a frente no espelho, temos medo.
Nao
Realmente nao quero agradar voce, caro leitor
E tambem nao quero ser mais um daqueles intelectuais que aponta de cima do palanque
com o dedo macio de colonia francesa
as intolerantes hipocrisias de nossa sociedade
e depois do discurso fuma um charuto cubano acompanhado de uma coca-cola.
Quero somente dizer que eu, voce, aquele cara ali na esquna, o politico corrupto, o policial mediocre, a dona-de-casa sem saida e todos os seres pensantes de carne e osso fazem parte, de alguma forma, de toda essa patifaria do nosso mundo pos-moderno.
Porque somos tao modernos
que prefirimos passar horas na frente de um computador
falando com pessoas a milhas de distancias
e nao temos coragem de encarar um olhar sofrido
ao nosso lado na fila do trem.
Porque esquecemos o que significa o verdadeiro significado da palavra humanidade
e passamos a ser dominados pelos sonhos dos outros, que querem todos os dias compor um mundo encantado montado pelas revistas caras das bancas
que contam historias fotografadas de mentira.
faca parte de um filme de verdade:
Voce ja perguntou a aquele menino no farol qual e o sonho da vida dele?
Ps:.O teclado argentino carece de acentuacao nesse momento
quinta-feira, 31 de março de 2011
Mais um dia na terra do sul
nessa noite fria e repetida
nesse pais quebrado e desmontado
que constroi um muralha entre o meu ser
e a minha consiencia.
A que espero? A que dedico os meus infinitos minutos de tedio?
a mais uma gota de cerveja.
Nada de novo na terra dos sofridos
Minha nausea e uma mera merda egoista no meio desses entulhos subvividos
Nao basta ser miseravel de corpo, de alma e de mente
Tem que escrachar essa angustia em todas as linhas
Tem que pisar nesses que pisam no pais que nao e deles
Exilado? Aqui odos somos solitarios
e presos nessas paredes coloridas de pura mentira.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
É mano, com 16 anos de periferia
não sou e nem quero ser obrigado
a ajudar a eleger essa patifaria!
Nenhum desses vermes laricam no lixão
ou se afogam no piscinão
de enchente, hipocrisia, praga falida
Dá um peão aqui na favela
e vê se tromba com a democracia
no cacetete dos polícia
na mão seca do mendigo.
Tenta achá a paz
no olho trincado do figitivo
e a liberdade do capitalismo
nas pedra que o foquetero passa
e traga fundo essa parada
que te foge dessa farsa
de aceitar essa diária desigualdade
que cala a voz das minas
apaga com raios da chacina
a vida de mais um mano da quebrada.
O muído miúdo passando o baguio
fora da escola, da sociedade, na escória
a diarista não tem um dia para ela
Livre arbítrio? Ou tá tudo corrompido?
Enquanto isso mais um jatinho
pago com o fundo do imposto posto no público
do trabalho do pobre fudido,
antes vagabundo,
agora um "eleitor livre"
da sociedade periférica-escravista.
Palmas pra a sua medíocre democracia!!!