sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

RETRATO DO ARTISTA QUANDO JOVEM

Solitário no mar de novidades
Colorido em tecidos floridos
Acanhado com elogio barato
O sentindo que brota os sentidos
Lirismo na ponta da faca
Piedoso com cachorros sem dono
Que cuspa na farsa sem graça
Dessa humanidade desumanizada
Solitário em pedaços falantes
Reconstrua com a arte ilimitada
Essa desconstrução!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Pedaços de uma inspiração

Sinto e vivo
faço e desfaço
pinto e rabisco, amasso
perco o compasso
fumo um cigarro
o ritmo e sigo
mas faço
a poesia radioativa
bomba de consciência humanista
um tiro
me atiro
do décimo andar do lirismo
e morro no asfalto
em versos quebrados
repentes cantados do suspiro de um poeta
me decomponho em zunidos
de gente grilo e de bicho curioso
sublimo
acima da filosofia do saber
o ópio da arte
no olho de quem vê

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Águas passadas

Deixei o caderno perdido para não me deparar com as letras
Elas revelam o que o meu corpo sofega e o que a minha alma deseja
dormi com redemoinhos de ideias desvairadas
me tranquei nos medos das retóricas e das metáforas
nunca respondidas

Me perdi, faz anos, no choro e soluços das dúvidas bastardas
que eu encontrei perdidos entre as indignações da minha cidade
tantas injustiças, tanta insanidade
Mas a existência de tudo que é pré-humano sublima a minha descrença
Pode-se matar, vender-se ou roubar,
Mas ninguém foge da sede ou do sol do meio-dia.

Lavei meu pranto no sol escaldante
que desfacela as nuvens e resseca as crostas das peles
para que ele sentisse a luz que impera sobre todas as perversidades humanas
marcá-lo e dar um motivo natural para prosseguir
e não se trancar na inquietação de não admitir
o que foi visto
e mudar a vista
Fazemos também parte de todo esse ciclo.

Fico ausente de mim porque quero me safar da saudade
Que meu ser tem de mim mesma quando respirava aqueles ares
Agora leio o meu lirismo codificado em palavras borradas de uma fraca tinta

O meu choro, agora, faz parte dessa chuva àcida
que queima em praga a pele e o capô daquele carro importado
a chuva também atinge à todos
agora espero que ela derreta o meu desespero de não ser o que tenho que aprender a ser

sábado, 13 de outubro de 2012

Interpoemalidades textuais

Acesse o link seguinte: http://artepalavrapensamento.blogspot.com.br/

É com grande prazer que apresento aqui a criação da minha querida amiga, poeta e artista Geandra Parmigiani.
O blog " Pensamentear" abre espaço para ideias, discussões e desvaneios artísticos elaborados a partir  das leituras dos célebres artistas que marcam por séculos a vida de todos nós.
A proposta intertextual possibilita o diálogo, não só com os textos aqui postados, mas com as impressões dos próprios leitores e os convida à discussão das obras clássicas que marcam a vida de todos.
Fiquem à vontade para se deliciarem com essa desvairada receita lírica e postem os seus comentários que são importantes para a continuidade dessas obras.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Inspira o corpo em chama
em faíscas de gotas geladas do mar
a onda que nada na pele ´
é a vida que aflora as verdes madeixas da ilha

Expira o corpo em fumaça
em sinfônicas partículas líricas no ar
a poesia que canta o vento
é a vida que volta a aflorar as verdes madeixas da vida

Ex-piração da vida

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Não,
Os helicópteros não suam com o tráfego da avenida
E o que resta para quem come o resto
É tomar mais uma para achar que isso é uma brisa
Pássaros-cegonha com asas motorizadas
O que temos de sobremesa?
Meia marmita doada com carne estragada
para os trabalhadores, coxinha de frango com farinha vencida
Uma dose de cansaço e horas perdidas
no trânsito engarrafado dos carros com ar condicionado
E quem consegue pensar com tanta fadiga?
Ah, deixa isso para amanhã.
Hoje quero a janta requintada
e a minha cama quentinha
Ainda tenho um morro para subir

MADALENA

Não era em toda a sua completude,
a alma inexorável de uma mulher resistente
e vencida perante o tempo.
Caminhava com sua pequena bolsa de saudades por todos os lados,
com seus papéis de bombons, cartas pela metade e fotografias manchadas pelo tempo.
Seus pés pairavam entre o arrasto e o escorrego dos dias sem propósitos.
Mas um dia, caiu de cara na ladeira
e seus papéis voaram ao vento
as palavras ficaram sem eco no olhar de quem estendeu a mão
para amaciar o seu tombo implacável.
E aí raiou o sol na janela alugada de um cubículo colorido.
A porta abriu, e como um roteiro presumível
foi-se o olhar perdido com as sacolas vazias que o vento levava