Não era em toda a sua completude,
a alma inexorável de uma mulher resistente
e vencida perante o tempo.
Caminhava com sua pequena bolsa de saudades por todos os lados,
com seus papéis de bombons, cartas pela metade e fotografias manchadas pelo tempo.
Seus pés pairavam entre o arrasto e o escorrego dos dias sem propósitos.
Mas um dia, caiu de cara na ladeira
e seus papéis voaram ao vento
as palavras ficaram sem eco no olhar de quem estendeu a mão
para amaciar o seu tombo implacável.
E aí raiou o sol na janela alugada de um cubículo colorido.
A porta abriu, e como um roteiro presumível
foi-se o olhar perdido com as sacolas vazias que o vento levava
Sou a própria viagem e por isso não posso parar de voar. Sinto no coração os efeitos do meu vício aceleram meu pulsar e eu não paro de sonhar.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
segunda-feira, 18 de junho de 2012
da ressaca ao nascer do dia
Sigo o caminho, sigo os trilhos pisados pelos pés descalços
Respiro essa bomba de mediocridade por honra aos meus sonhos
Respiro e morro todos os dias.
É preciso morrer no tédio pelo menos uma vez na vida
Perder os sonhos dourados e comer de sobremesa o próprio vômito
da ressaca não permitida embrulhada pela fome que não cessa
e engolir, sem degustar, os restos do que se chama corpo, razão ou dignidade
É preciso, depois, regorgitar em matéria e voltar para a liberdade do pó
da lama ou de qualquer coisa que seja
e fazer dessa massa a argila ou a cera
do novo vaso vazio pronto para o improviso
e experimentar líquidos, texturas, gorduras velhas e filtradas
de palavras sujas e olhares limpos
e só ver a paisagem seca do peso da luz que cai nas nuvens espassas de
incredulidade e felicidade carbônica.
E seja, dessa vez, a hipocrisia do sorriso do político
a paz no frio dos que dividem o calor pela vida no nascer do dia
um guerreiro que cospe no nada que grita e pronuncia
no fluxo da programação repetida de nossa vida
Sinta e exista, pelo menos uma vez
O tempo é agora e já passou em um milésimo
mas a sua forma e história é o corpo de quem fica.
Respiro essa bomba de mediocridade por honra aos meus sonhos
Respiro e morro todos os dias.
É preciso morrer no tédio pelo menos uma vez na vida
Perder os sonhos dourados e comer de sobremesa o próprio vômito
da ressaca não permitida embrulhada pela fome que não cessa
e engolir, sem degustar, os restos do que se chama corpo, razão ou dignidade
É preciso, depois, regorgitar em matéria e voltar para a liberdade do pó
da lama ou de qualquer coisa que seja
e fazer dessa massa a argila ou a cera
do novo vaso vazio pronto para o improviso
e experimentar líquidos, texturas, gorduras velhas e filtradas
de palavras sujas e olhares limpos
e só ver a paisagem seca do peso da luz que cai nas nuvens espassas de
incredulidade e felicidade carbônica.
E seja, dessa vez, a hipocrisia do sorriso do político
a paz no frio dos que dividem o calor pela vida no nascer do dia
um guerreiro que cospe no nada que grita e pronuncia
no fluxo da programação repetida de nossa vida
Sinta e exista, pelo menos uma vez
O tempo é agora e já passou em um milésimo
mas a sua forma e história é o corpo de quem fica.
Esboço de uma poesia coletiva
À Flávia ou à Claudia?
Para existir a graça do espetáculo
é preciso um pouco de vontade da vida do homem.
O tempo do teatro é o imperativo.
O prédio velho, a mente velha.
O prédio é reformado, a mente não.
É porque o sol deteriora a pele
a imagem é a primeira impressão.
XVI/ VI/ MMXII e Denis Silveira ( http://algumacoisaparaler.blogspot.com.br/ )
Para existir a graça do espetáculo
é preciso um pouco de vontade da vida do homem.
O tempo do teatro é o imperativo.
O prédio velho, a mente velha.
O prédio é reformado, a mente não.
É porque o sol deteriora a pele
a imagem é a primeira impressão.
XVI/ VI/ MMXII e Denis Silveira ( http://algumacoisaparaler.blogspot.com.br/ )
Ao domingo sem descanso
Com(o) projetadas janelas televisivas
o ônibus me passa as notícias do dia
a banda toca a velha marchinha repetida
da dança do palhaço louco na calçada da farmácia
pula, brinca, joga a criancinha no ar
leve e tonta, o estômago oco de vermicida
ainda não matou a fome com o rango
presente do almoço de domingo de poucas famílias.
A tela do ipod refletia a luz do suspiro da tarde
perdida no dia que o trabalho é pura fadiga
retina negra com a imagem carimbada
de um descanso da mesmice e da preguiça
Para no próximo ponto, perto da esquina da descida
torto o ônibus, quase tomba na curva fechada da esquina
Abre a porta e entra na programação ao vivo em cores
e pinta o céu com as cores da tinta da sua história viva.
o ônibus me passa as notícias do dia
a banda toca a velha marchinha repetida
da dança do palhaço louco na calçada da farmácia
pula, brinca, joga a criancinha no ar
leve e tonta, o estômago oco de vermicida
ainda não matou a fome com o rango
presente do almoço de domingo de poucas famílias.
A tela do ipod refletia a luz do suspiro da tarde
perdida no dia que o trabalho é pura fadiga
retina negra com a imagem carimbada
de um descanso da mesmice e da preguiça
Para no próximo ponto, perto da esquina da descida
torto o ônibus, quase tomba na curva fechada da esquina
Abre a porta e entra na programação ao vivo em cores
e pinta o céu com as cores da tinta da sua história viva.
sábado, 5 de maio de 2012
Desaprendendo com Manoel de Barros
Aprende-se que as flores vivas nascem na poesia das crianças
Elas são sensíveis demais para comerem uma semente
plantam nas terras inférteis dos adultos a doce sabedoria do sentir
e ver, e tocar, e ser
Nós, garimpeiros de primeira viagem, sempre esquecemos de regá-las pela manhã.
Com os pássaros aprende-se a ver a terra como o que ela é: um grande grão de pele de veludo cheio de feridas asfálticas e parasitas
Alcançamos os grandes ares, mas ainda respiramos o odor do seu suor.
Os Andarilhos, sem fronteiras para os seus sonhos, aprendem a desaprender a ciência cega do homem
que perde na procura da exatidão
a sabedoria da sensibilidade do olhar
e sentir sem mudar o que já existe
passa-se e o que muda é o mundo
ele nos recorta em cada pedacinho
em uma nova história.
E somos isso: colcha de retalhos mal-costurado. Não sabemos contar a nossa própria história.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Às margens Plácidas
O tempo no punho
no pulo da pressa
algema da condenação
do atraso da espera
o trem lento no trilho
o Pinheiros como crime
quieto e manso no sigilo
grita em ópera sua morte
no seu odor que rasga
narinas sem distinção
de cor, de dor, de bolso ou alarde
uma pista de patinação
Um espelho
que reflete a luz dos postes azuis
Morumbi, Berrini, Vila Olímpia
um poço de saudade
de algo que foi e nunca mais será
mas ainda é toda cidade
merda, esgoto, escremento, fosso
de todo lar paulistano
Jardins, Paraisópolis, Paulista
todos brilham na mesma ironia
de um olhar perdido na janela que passa.
no pulo da pressa
algema da condenação
do atraso da espera
o trem lento no trilho
o Pinheiros como crime
quieto e manso no sigilo
grita em ópera sua morte
no seu odor que rasga
narinas sem distinção
de cor, de dor, de bolso ou alarde
uma pista de patinação
Um espelho
que reflete a luz dos postes azuis
Morumbi, Berrini, Vila Olímpia
um poço de saudade
de algo que foi e nunca mais será
mas ainda é toda cidade
merda, esgoto, escremento, fosso
de todo lar paulistano
Jardins, Paraisópolis, Paulista
todos brilham na mesma ironia
de um olhar perdido na janela que passa.
quinta-feira, 22 de março de 2012
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